Comércio Exterior – Profissão

Quem são os profissionais e como funciona o mercado de trabalho para Comércio Exterior? Conheça nessa matéria.


Notícias – 10 de janeiro de 2011

Por: Mauricio Marto Moreira
Bacharel em Comércio Exterior e analista de documentação de exportação na Mercedes-Benz

1175613_19557129Em 2010, o aumento de preço da cebola, um simples legume, trouxe crise em toda a Índia. Embora pareça inocente, a cebola é um dos mais importantes ingredientes da cozinha indiana e sua escassez traz transtornos incalculáveis. Uma das medidas para contornar o problema foi vetar a exportação temporariamente e facilitar a importação.

Essa situação mostra a importância do comércio exterior para um país. Mas, quem são os profissionais e como funciona esse mercado? Conheça nessa matéria.

Chamados de traders, os profissionais que atuam em comércio exterior vivem estudando o mundo, sendo ideal se especializar em alguma região ou um grupo de países. Um grande exemplo para a profissão foi o Rei Salomão, que por sua sabedoria e grande habilidade em negociar, construiu um império totalmente baseado em relações internacionais e na troca de recursos naturais (pedras, minérios, madeiras, tecidos, etc) e de conhecimento com outros países (habilidades profissionais, avaliando e trazendo especialistas, conforme a expertise nacional), um ícone para a profissão. Vejamos os atributos da área:

SALÁRIO: A remuneração para profissionais formados e iniciantes está em torno de R$ 1.000,00 a R$ 3.000,00, podendo variar bastante de acordo com a função e a empresa. Os Estados que mais empregam nessa área é o eixo São Paulo e Rio de Janeiro.

HISTÓRICO E MERCADO: A profissão de comércio exterior cresceu em amplitude e diversidade após a abertura comercial feita pelo Governo Collor, em 1990. Antes desse período já existiam profissionais do ramo, porém o trabalho era bastante burocrático e a instabilidade política e econômica travavam o crescimento do país e do mercado de trabalho em geral.

Empresas estrangeiras decidiram instalar filiais ou subsidiarias e produzir no Brasil, por causa do grande mercado interno não explorado, da característica consumista da população e, principalmente, pela semente de amadurecimento do Governo brasileiro, que começou a desenvolver políticas e legislações permitindo um “boom” do mercado interno e, posteriormente a inserção de produtos no mercado internacional.

Esse foi o momento em que abrimos caminho para deixar de ser uma nação produtora e exportadora exclusiva de produtos agrícolas (commodities), para a criação de um vasto pólo industrial que produz praticamente tudo o que é consumido no mundo, como por exemplo eletrônicos, móveis, automóveis, veículos de transporte de mercadorias e pessoas, aeronaves, alimentos, calçados, vestuário e etc.

InternationalMoneyO Brasil foi pioneiro na criação de um sistema informatizado e seguro que permite a comunicação em tempo real com toda a cadeia de comércio exterior envolvida: Empresas exportadoras ou importadoras, Governo, Receita Federal, Bancos, Corretoras, Despachantes Aduaneiros, Banco Central, Cias aéreas e marítimas. O SISCOMEX – Sistema Integrado de Comércio Exterior foi a ferramenta que permitiu o controle e o aumento das operações de comércio internacional, bem como a elaboração de estatísticas precisas, além da facilidade na agilização de autorizações de embarque de mercadorias que exigem tratamento fiscal e/ou aduaneiros específicos.

O brasileiro mostrou para o mundo que podemos formar profissionais competentes e capazes de realizar tarefas desafiadoras.

A profissão teve grande impulso nas duas últimas décadas por causa da sociedade, cada vez mais global, e o aumento de tecnologias que “diminuem as distâncias”, sobrevivendo inclusive às crises asiáticas, dos Estados Unidos e da União Europeia. Houve momentos de grande turbulência, com oscilações cambiais, juros e riscos inflacionários, empresas paralisadas e ocasiões que conseguimos um crescimento econômico significativo, enquanto outras economias sequer apresentaram sinais de recuperação.

PERFIL: É preciso estar bem preparado para essas ocasiões. Planejar as operações da empresa durante e pós-crise são tarefas desafiadoras, pois um planejamento inadequado pode gerar prejuízos imensos às instituições financeiras, exportadores, importadores e/ou governo.

Promover a internacionalização de um produto não é fácil. Exige conhecimento técnico diversificado, além de uma cultura abrangente. Para operar no mercado externo, o profissional tem que possuir habilidades que se desenvolvem somente através de uma boa formação acadêmica, da realização de diversos cursos complementares e da experiência. O domínio de mínimo dois idiomas estrangeiros e do uso dos recursos de informática é essencial. A área é voltada para pessoas que gostam de ler e estudar.

Fatores políticos, econômicos, geográficos e religiosos são bastante sensíveis e determinantes para o sucesso ou fracasso de uma operação.

Considerando que o desejo é o da continuidade das relações comerciais, ou seja, nenhuma empresa cria um produto para vender uma única vez. Sendo assim, é necessária a elaboração de um bom trabalho de pesquisa de mercado, estudo da região pretendida e dos meios de elaboração ou desenvolvimento de produto e legislação, pilares para uma tomada de decisão e a elaboração planejamento muito bem estruturado.

MERCADO DE TRABALHO: Em uma sociedade cada vez mais global, o mercado de comércio exterior está em expansão e tem boas oportunidades de trabalho. É possível atuar em empresas privadas, públicas ou em organizações internacionais.

Quem não gostaria de ser um profissional com diversidade de áreas de atuação? Quer saber algumas opções?

Companhias Aéreas, Marítimas, Agenciadores de Carga, Transportadores Rodoviários: Contratar frete internacional, acompanhar o embarque e o desembarque de Mercadorias. É preciso habilidade em negociação e cálculo de frete.

Gestor de Qualidade: Profissional com conhecimento das normas e padrões internacionais de medidas e legislações específicas para a entrada de um produto no mercado externo. Ele é responsável pela padronização do produto ou da maneira como é produzido, seguindo as exigências e normas internacionais e especificas de uma região ou país. Ex. Ambiental (selo verde), emissão de gases (para veículos automotores). E não menos importante, a criação e confecção da embalagem que é para conservação, segurança ou marketing.

Seguradora: Negociação e conhecimento da legislação de seguro internacional de mercadorias.

Consultoria: Dar acessoria às empresas de médio e pequeno porte que desejam iniciar negociações internacionais.

Agente Comercial: Atua como representante comercial de um país ou região. É responsável pela intermediação das negociações entre compradores e vendedores e/ou pela venda direta.

Financeira: Podem atuar em bancos, corretoras de valores e instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central para essa finalidade. São profissionais responsáveis pela compra e venda da moeda estrangeira resultante do comércio de bens e/ou serviços.

Marketing: Responsável pela criação, divulgação e promoção, bem como pelo estudo e análise de mercados e adaptações à cultura local onde o produto será comercializado.

Logística: Atua no transporte e planejamento desses custos (Supply Chain). Não é uma tarefa bastante simples, pois envolvem: o custo, o tempo de entrega e escolha do modal adequado (marítimo, aéreo ou rodoviário) que são determinantes para o sucesso da operação. São necessários amplos conhecimentos de legislação aduaneira, de Incoterms e das normas de transportes nacionais e internacionais.

Direito: Atuam nas negociações com governo e entidades internacionais, aduanas, embaixadas, Câmaras de Comércio e na resolução junto à OMC das barreiras comerciais ou técnicas que dificultam ou tornam inviável a venda de um produto para um país. Exemplos: Exportação de suco de laranja para os Estados Unidos, ou disputa comercial entre Canadense Bombardier versus a nossa Embraer.

Despachantes Aduaneiros: Possuem procuração para atuar nas fronteiras, portos e aeroportos, promovendo o desembaraço de mercadorias junto ao Governo e Receita Federal e liberando ao transportador para embarque (aéreo, marítimo ou rodoviário).

Governo: Funções em embaixadas, secretarias e ministérios. Para trabalhar em instituições públicas, é necessário fazer um curso no Instituto Rio Branco de Brasília.

Receita Federal: Auditor Fiscal da Receita Federal que cuida da fiscalização da entrada e saída de mercadorias das fronteiras, portos e aeroportos e do cumprimento da legislação aduaneira.

Banco Central: responsável pela adoção de políticas monetárias que visam o controle de entrada e saída de moeda estrangeira, bem como das normas e fiscalização dos bancos e entidades autorizadas a atuar no mercado de cambio.

Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: responsável pela adoção de políticas comerciais, fiscalização das praticas comerciais realizadas por empresas nacionais ou por outros países que sejam desleais, preço ou subsídios (medidas antidumping), bem como da proteção da indústria nacional, criando leis e barreiras para dificultar ou inibir as praticas ilegais de comercio. (ex. a entrada de produto chinês com preços muito baixos).

FIESP: Federação da Indústria e Comercio Como órgão protetor dos interesses da indústria nacional e elegido pelo governo para emissão dos certificados de origem dos produtos brasileiros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *