Não seria IMPORTANTE parar e pensar na PROFISSÃO, uma vez que esta é uma das mais significativas escolhas de nossas vidas?
Ano 3 – Revista nº 6 – Julho 2012
Por: Aliciene dos Santos | Psicóloga | aliciene_santos@hotmail.com
Todos nós passamos a vida decidindo, escolhendo. Escolhemos a melhor roupa para uma festa ou um evento esportivo, escolhemos o que comer, nossos amigos, nossos médicos, os programas de TV que mais nos agradam e assim por diante.
Sendo assim, não seria IMPORTANTE parar e pensar na ESCOLHA DA PROFISSÃO, uma vez que esta é, se não a mais importante, uma das mais significativas de nossas vidas? Será que paramos para pensar os motivos de nossas escolhas e não‐escolhas? O que leva alguém a decidir por esta ou aquela profissão?
A escolha é mais complexa do que parece, quando a olhamos de perto. Ela é constituída por uma série de determinantes.
A profissão faz parte da vida das pessoas. Em geral, na nossa sociedade, sua escolha se dá entre os 16 e 18 anos, quando se termina o 3º ano do Ensino Médio. Portanto, o processo de escolha profissional inicia‐se na adolescência, período de busca de uma identidade própria, período de crises e questionamentos.
E quem é o jovem que necessita escolher? É alguém em fase de transição entre o mundo infantil, até então bastante conhecido e o mundo adulto, do qual ele tem algum conhecimento. Seu comportamento é oscilante entre estes dois universos. Imaturo para uma série de questões e às vezes surpreendentemente maduro para outras.
Nessa fase de transição, são possíveis comportamentos motivados por inseguranças e medos, numa tentativa de autoafirmação. Pode rebelar‐se e enfrentar os mais velhos para afirmar que pode, que sabe. Une‐se ao grupo de colegas e amigos para ter mais força e apoio emocional. Também pode ser utópico, idealista, querer mudar o mundo, a sociedade, o núcleo social em que vive, com ideias às vezes mirabolantes.
Mas será que em meio a esse turbilhão de mudanças, é possível parar para pensar nos motivos das escolhas? Um jovem pode ir mal em “ciências” por estar brigado com sua mãe que é “bióloga”, por exemplo. Ou pode escolher Engenharia por ir bem em matemática e achar que isso é suficiente para desenvolver bem uma profissão. Porém, ao ingressar na Universidade, pode se dar conta de que é preciso mais do que gostar de matemática para ter sucesso.
Com a falta de ligações entre as matérias ensinadas na escola e a próxima, alguns jovens se perguntam: para que saber tal coisa se nem sei no que vou usar? Assim, como deseja que esse mesmo jovem estude com afinco para o Vestibular? E mais ainda: estudar para o vestibular para qual profissão, se não sabe QUEM ELE QUER SER? O QUE VAI FAZER?
Além de todas essas questões, ainda encontram‐se as “pressões” familiares, as do seu grupo de iguais, as dele consigo mesmo.
Resumidamente, a escolha é uma aprendizagem. Não nascemos sabendo escolher, mas aprendemos a escolher de acordo com o desenrolar de nossas vidas, de nossas relações com a família, colegas, professores, amigos, mídia, etc. Só é possível escolher bem conhecendo os fatos que nos levam a isso. Uma pessoa só “escolhe bem” se puder levar em consideração seus fatores internos, psicológicos, emocionais: sua história de vida.
Nenhum teste vocacional por si só auxiliará a desvendar este mundo interno de cada um de nós. Os testes já trazem resultados prontos, engessados por uma época em que o mundo profissional era mais estável.
Hoje, no século XXI, com as mudanças impostas pela era da informação, novas tendências econômicas, novas relações entre o homem e o trabalho, globalização, etc… Só é possível escolher com mais precisão, passando‐se por um processo de Orientação Vocacional.

