Há um bom tempo que o assunto de cotas nas universidades tem sido discutido. Seria ele uma forma de inclusão e “remissão por danos causados” ou mais uma forma de subestimar capacidades?
Revista 11 – Março / Abril 2014
Por: Natália Borges – Bacharelando em Letras
Esse assunto de cotas raciais é antigo no congresso nacional, já transitou por lá cerca de dez anos, intitulado como Lei de Cotas. Baseado na desigualdade e maus tratos da época da escravidão, em que os negros sofreram no decorrer da história, e como solução para “reparar” os danos causados a eles, esse sistema de cotas foi criado privilegiando o acesso de negros à universidade.
Com certeza algo deveria ser feito por essa situação, mas como em nosso país há a mania de usar o famoso “jeitinho brasileiro”, a alternativa escolhida foi novamente preconceituosa, de forma que não ajuda a incluir e sim a causar “diferença” entre as pessoas. No entanto, há outros meios de reparação por tanto sofrimento e preconceito.
A melhor forma para entrar numa universidade continua sendo por empenho, estudo, sacrifício… Enfim, méritos próprios. Pois todos têm capacidade para realizar suas metas e não será a raça ou a cor que irá definir isso, mas a qualidade da educação em igualdade.
Atualmente o governo disponibiliza programas de inserção na faculdade como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), um tipo de vestibular que serve para ingressar em instituições públicas ou privadas de ensino superior. Dependendo da pontuação dessa prova é possível entrar numa faculdade pública através do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), ou do Pro Uni (Programa Universidade para Todos) que oferece uma bolsa de estudos de 50% a 100% para faculdades privadas. Também existe o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) para quem precisa fazer faculdade, mas não tem como pagar.
Esses foram os meios criados para popularizar a faculdade e inserir pessoas que tenham vontade de estudar e ter um futuro melhor sejam: brancas, negras, magras, gordas, jovens, idosos, pobres… Enfim dar a essas pessoas o direito ao conhecimento e de fazer uma faculdade com dignidade.
Que tal sermos mais inteligentes e fazer algo realmente eficaz para apagar o passado vergonhoso, cheio de preconceito, injustiça e corrupção em nosso país? Um bom começo para que isso aconteça seria reparar as injustiças a nível nacional, com reformas no código penal e na política, conscientização e valorização do voto, fazendo mais investimentos na saúde, segurança, transporte, cultura e, principalmente, na educação.
Se a educação pública de base for de qualidade “para todos”, não será necessário criar cotas ou privilégios, pois todos terão igualdade de condições. Muito mais que reparar danos, isso seria dar oportunidade de crescimento, dignidade e um futuro melhor para os cidadãos que constroem a economia desse país por meio do suor do seu trabalho independentemente da sua condição física, cor ou raça.

