Todos já viram ou ouviram falar de balé, jazz, sapateado, mas e dança contemporânea? Quando falo sobre dança contemporânea as pessoas respondem: então você dança tudo?
Notícias – 05 de novembro de 2015
Por: Evelin Danzi – Educadora Física, Instrutora de Pilates e Dançarina
Todos já viram ou ouviram falar de balé, jazz, sapateado, mas e dança contemporânea? Quando digo que faço dança contemporânea vejo as interrogações na expressão das pessoas ou então elas simplesmente respondem: então você dança tudo?
Pouco se fala sobre dança contemporânea porque não é uma técnica ou método com rótulo, mas um jeito de pensar a dança. Estabelece o diálogo com múltiplos estilos, linguagens e técnicas de treinamento. Essa dança não precisa necessariamente de mensagem, de história ou de trilha sonora, mas o corpo em movimento estabelece sua dramaturgia, musicalidade, histórias, com outro vocabulário.
A dança contemporânea não prioriza a estética e sim a expressão e transmissão de sentimentos, ideias, conceitos. Por volta de 1960 existem relatos que ela começa a se desenvolver e, ao contrário da dança moderna, não possui uma técnica formal estabelecida, sendo mais que uma técnica específica, uma coleção de sistemas e métodos desenvolvidos a partir da dança moderna e pós-moderna. Depois de um período de intensas inovações e experimentações, que quase atingiram uma total desconstrução da arte, na década de 1980, a dança contemporânea começou a se definir, desenvolvendo uma linguagem própria, embora ainda faça referência ao balé, ao jazz e a outros estilos de dança.
O corpo na dança contemporânea é construído na maioria das vezes a partir de técnicas somáticas, do trabalho da conscientização e experimentação do corpo e do movimento, como exemplo temos as técnicas Alexander, Feldenkrais, Eutonia, Klauss Vianna (Brasil), Pilates, entre outras.
O intérprete, bailarino, dançarino de dança contemporânea tem autonomia na construção de suas próprias partituras coreográficas partindo de métodos e procedimentos de pesquisa, como por exemplo, improvisação, contato-improvisação, método Laban, técnica de release, Body Mind Centery (BMC), entre outros. Esses métodos trazem instrumentos para que o intérprete crie suas composições a partir de temas relacionados a questões políticas, sociais, culturais, autobiográficas, comportamentais e cotidianas, como também a fisiologia e a anatomia do corpo, considerando a realidade do ser humano. Aliado a isso, percebe-se a necessidade da pesquisa teórica para a complementação da prática.
A liberdade criativa na construção dos movimentos na dança contemporânea é o que a faz única para cada criador, dançarino, coreógrafo ou pesquisador.




