Quando encontramos a paixão vivemos cada momento com a esperança de superar e satisfazer os prazeres um do outro, ver o outro feliz em todos os detalhes.
Revista 09 – Agosto 2013
Sintomas – Química do amor
Ansiedade = Conforme nos relata o dicionário Aurélio a ansiedade é a sensação de receio e de apreensão que, sem motivo aparente, causa taquicardia e sudorese.
Agora você entende por que o coração bate mais rápido e às vezes até parece que vai sair pela boca, as mãos, do nada, ficam molhadas, um frio na espinha invade o corpo, o nó no estômago, enfim, reações esquisitas que se tem sem perceber.
A paixão passa a ser um sentimento cheio de incertezas e medos que a nossa mente gera, sem antes experimentar o seu real sabor ou, quem sabe, a sensação do bem estar. A mente começa a trabalhar mais com as possibilidades do fracasso do que do acerto, ou seria ao contrário?!?
Mudanças de atitudes = são percebidas pelos mais próximos e mais íntimos, menos pela própria pessoa. Essas mudanças podem ser até para melhor, mas dificilmente são notadas. O que conta é que você está mudando e toda mudança gera insegurança pelo novo, mesmo sendo bom.
Pelo que temos ouvido em músicas e lido nos romances e em alguns livros de auto-ajuda, quando levamos a paixão para o lado positivo, a ansiedade fica menos pegajosa e perigosa. Mas afinal, paixão tem lado positivo?
Na Bíblia, considerada o manual do fabricante do homem, o apóstolo Paulo diz: “o mal que não quero, faço; o bem que quero, não faço”. O que é bem e o que é mal dependem de várias circunstâncias e do momento. O julgamento depende dos valores de cada um. Tudo ocorre na mente. Mentes boas e más.
A paixão é um descontrole emocional, um “curto-circuito” nos neurônios, onde você não consegue equilibrar o racional. O nível daqueles elementos bioquímicos citados anteriormente, explicam porque uma pessoa tende a perder a razão quando apaixonada. Tudo ocorre como um “sedativo” que desperta um bem estar e prazer pela beleza e atratividade do objeto alvo e, de repente, acaba o efeito.
Oposto da paixão
Curiosamente, a paixão é apresentada sutilmente pela mídia como sinônimo de amor ou até como algo de qualidade superior ao amor. Este último normalmente recebe o sinônimo de estagnação, monotonia e aprisionamento.
Substituindo amor por uma expressão mais comum como respeito, podemos entender claramente os reflexos do amor em nosso dia-a-dia. Resumindo, amor é uma atitude deliberada de fazer o bem, mesmo que não haja contrapartida. Acontece de dentro para fora. Um firme propósito de não permitir que nada nem ninguém venham a ferir o outro. Por uma atitude de absoluto respeito pelo outro, ou seja, pelo amor.

Expectativas de pensamentos de paixão ou de amor cabem em nossa mente. Que máquina legal essa tal de mente! – Parafraseando uma linguagem de informática – enquanto somos jovens ela armazena tantas informações e imagens quanto podemos e queremos arquivar, sem ter problemas de capacidade de memória e velocidade. Se compararmos nosso cérebro e um microcomputador, aquele tem cerca de 20 cm², pesa aproximadamente 1,3 kg e consome a energia de 22 Watts- o equivalente a uma lâmpada incandescente fraca. Muito pequeno em relação a um computador! Como cabe tanta coisa nessa peça?
Apesar de tão pequeno é mais poderoso que um computador e dá para perceber isso lembrando que um pensamento é mais rápido que a velocidade da luz, que passa pelo cérebro e atinge o infinito. Podemos pensar e imaginar o quanto quisermos, só você e Deus sabem do pensamento e das intenções. Podemos ficar seguros com a privacidade de informações, senhas, ideias, planos, desejos, objetivos, sentimentos. Tudo é muito rápido, muito parecido, mas com significativas diferenças. Em uma fração de segundo uma paixão pode se transformar em ódio.
Deixaremos para você, leitor, o julgamento, lembrando que “com a medida que julgarmos seremos julgados”.
Eliseu Ramos
Psicanalista


