Este é o segundo artigo da série e trata de uma questão complexa de nossos dias: o diálogo. A sociedade moderna pouco se comunica.
Notícias – 02 de Julho de 2014
Este é o segundo artigo da série e trata de uma questão complexa de nossos dias: o diálogo. A sociedade moderna pouco se comunica. Esta afirmação quase chega a ser um paradoxo diante de tantos recursos de comunicação ao nosso alcance. O fato é que nossas crianças e jovens sabem lidar com eficiência os recursos tecnológicos disponíveis como ipad, tablets, celular, etc num processo onde a verbalização deixa de existir. Esse ambiente cria um cenário propício para que a relação verbal entre humanos vá se tornando cada dia menos usada e, como não podia deixar de ser, a relação entre pais e filhos acaba entrando nessa “onda”.
Na cultura ocidental contemporânea, a autoridade como um todo, tem sido contestada. Associa-se com repressão. A rebelião é mostrada como normal e, em algumas correntes de pensamento, como saudável. Isto se projeta na família.
Hoje, a influência maior sobre uma criança não é da família, incluindo avós e tios. É da rua e da mídia. Os valores familiares têm sido sobrepujados. Há uma campanha na mídia (e isto não é ser alarmista) voltada contra a família. Nas novelas, os adultos nunca têm razão, só têm deveres, e nunca têm direitos. Os jovens sempre têm razão, são idealistas, nunca têm deveres, têm apenas direitos. Isto mina a autoridade e contesta os padrões de ontem.
A sociedade é mudancista, dinâmica, com as informações se sucedendo de maneira muito rápida. Há informações inúteis, absolutamente desnecessárias. Trocam-se conceitos como se troca de roupa. Como cantava Raul Seixas, “Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo, tudo”. Isto abala as famílias e os relacionamentos.
Reconhecendo esse cenário é preciso reformular a presença dos atores de tal forma que a comunicação volte a existir, pelo simples fato dela ser o primeiro passo para o controle eficaz de qualquer situação.
Somos seres gregários, ou seja, feitos para vivermos em comunhão. Fomos feitos para vivermos em companhia de outras pessoas e isto quer dizer conversar, brincar, abraçar, amar. A família deve buscar companheirismo. Quando uma família não consegue isto, ela está em perigo. Seus componentes devem procurar entrar em acordo. Se for necessário, pedir ajuda. Família precisa ser lugar de relacionamento. Isto continua. Não é um lugar para solidões amontoadas, mas de interação.
Muito contribue quando valores espirituais e culturais são aprendidos em casa. A família prepara para o grupo social maior. Se a família falha, a sociedade, o grupo social maior, entra em crise. É o que vemos hoje. Famílias falhando, sociedade em crise. A família deve possibilitar e ensinar a vida em grupo, e os pais devem ensinar valores morais e religiosos, em casa.
Casa é lugar para conversar, é isso mesmo, falar, usar palavras sonoramente audíveis, dialogar, conhecer opiniões, pontos de vista, discutir, explorar assuntos, trocar ideias.
Quando essas conversas devem acontecer? Sempre.
Esses procedimentos vão construir em nossos filhos e jovens princípios e valores para que vivam melhor, vão perceber que são respeitados e aprender que pais e filhos juntos produzem boas ideias.





