Escola atende moradores de rua

“Só há transformação quando existe educação”. Escola Pública atende moradores de rua e alunos que vivem em abrigos em Brasília.


Notícias – 23 de abril de 2015

a-escola-de-meninos-e-meninas-do-parque-a-emmp-atende-alunos-moradores-de-rua-ou-que-moram-em-abrigos-do-distrito-federal-em-braslia-na-foto-fabrcio-dos-reis-aluno-que-graas-ao-ensino-conseguiu-1428341875916_956No Distrito Federal, a Escola Meninos e Meninas do Parque atende moradores de rua e alunos que vivem em abrigos em Brasília. “Só há transformação quando existe educação. Nosso estudante chega aqui como um diamante bruto. Com bastante carinho, ele fica mais afetivo, educado e estudioso”, afirma a diretora Amelinha Araripe.

O sonho dos estudantes da Escola Meninos e Meninas do Parque, localizada no Parque da Cidade, no Distrito Federal, é o mesmo: sair das ruas. O colégio, que existe há mais de 20 anos, atende cem alunos que não têm onde morar. Além do aprendizado, jovens e adultos encontram no local carinho, paciência e motivação. A grade curricular é a mesma de outras instituições de ensino. A diferença, segundo a diretora Amelinha Araripe, é que o ritmo de aprendizado de cada um é respeitado.

a-escola-de-meninos-e-meninas-do-parque-a-emmp-atende-alunos-moradores-de-rua-ou-que-moram-em-abrigos-do-distrito-federal-em-braslia-na-foto-a-aluna-meire-romo-que-j-conseguiu-concluir-o-ensino-1428341907452_956Entre os alunos que já passaram pela escola está Meire Romão, 56. “Meu grande desejo é ser veterinária”, conta. Ela já concluiu o ensino fundamental na Meninos e Meninas, mas vai diariamente até o local para ajudar na limpeza. Segundo Meire, apenas a educação pode mudar a vida de uma pessoa.

“O dia mais feliz da minha vida foi quando vesti uma beca e segurei o diploma. Eu não tinha planos para o futuro, mas, hoje já estou entregando currículos. Quero juntar meu dinheiro, sair da rua e fazer um curso”. Atualmente, Meire dorme todos os dias em frente ao Hospital Regional de Brasília.

O colégio, que é público, tem aulas de informática e oficinas de artes, ciência e corpo humano. Na escola, os alunos também tomam banho, lancham e almoçam. Uniformes e kits higiene são disponibilizados.

“Eles [os alunos] se encontram em uma situação de vulnerabilidade muito grande. Entretanto, todos respeitam muito o colégio e os professores. Sabem que encontraram aqui uma família”, diz a diretora.

Transformação

O estudante José Liberato, 64, é morador de rua há 50 anos. Ele já foi preso por assalto a mão armada e também tráfico de drogas. Encontrou na escola uma chance de seguir em frente e construir uma nova história. “Já aprendi a escrever meu nome e ler algumas palavras. Também comprei uma bicicleta para vender salgadinhos e doces. Com o dinheiro, pretendo alugar um quarto e sair da rua”.

No local, dez professores atendem alunos que têm a partir de nove anos. Eles são divididos em turmas de ensino fundamental regular ou EJA (Educação de Jovens e Adultos). Também existem aulas de reforço para os alunos que precisam.

Após a conclusão do ensino fundamental, os estudantes são encaminhados para outros colégios de ensino médio. Porém, o vínculo com a escola Meninos e Meninas não é desfeito.

“Só há transformação quando existe educação. Nosso estudante chega aqui como um diamante bruto. Com bastante carinho, ele fica mais afetivo, educado e estudioso”, diz Amelinha.

Inspiração para outros estudantes

Fabrício dos Reis, 25 anos, morava na rua desde criança com a mãe. Ele conta que se envolveu com drogas e não tinha nenhuma perspectiva de vida. Porém, a vida começou a mudar quando foi abordado por uma equipe de orientadores sociais.

“Comecei a estudar aqui e percebi que a droga não tinha futuro. Perdi muitos amigos que moravam na rua comigo, alguns assassinados, outros presos. Hoje, sou uma inspiração para outros alunos”.

Fabrício trabalha no projeto Cidade Acolhedora – Serviço Especializado de Abordagem Social, ganha R$800 e mora de aluguel. Hoje, o jovem sonha em cursar serviço social na UnB (Universidade de Brasília).

Infraestrutura

O colégio Meninos e Meninas é de responsabilidade da Secretaria de Educação do DF e possui alguns problemas de infraestrutura. O local só tem um banheiro, não tem internet e faltam espaços apropriados para as atividades.

Sobre os problemas, a pasta informou que encaminhará o mais rápido possível um técnico da Subsecretaria de Modernização e Tecnologia para instalar uma linha de internet. A secretaria disse ainda que está finalizando um plano de obras para o atendimento de todas as escolas que necessitam de intervenções mais amplas.

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Fonte: UOL

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