O Professor deve abrir mão ou dar uma segunda chance ao aluno indisciplinado? Você sabe o impacto que a atitude do professor pode causar?
Notícias – 15 de setembro de 2015
Por: Eliane Galante é Professora, Bacharel em Ciências Sociais e Geografia.
O Professor deve abrir mão ou dar uma segunda chance ao aluno indisciplinado?
Com um grande problema comportamental Albert Einstein, que não suportava autoritarismo e era um aluno indisciplinado e temperamental, foi repreendido por uma de suas professoras com a seguinte frase “Você nunca chegará a lugar algum”. Certamente, ao falar isto, a professora estava abrindo mão do jovem Albert, que décadas depois veio a se tornar um dos homens mais geniais do mundo.
Como a professora disse a Albert Einstein, que vivia em um mundo de rigidez e autoritarismo, vemos, atualmente, muitos professores sendo derrotistas com seus discursos sobre seus alunos. Afinal, não vivemos mais no século XX, onde a relação autoritária do professor sobre o aluno era que dava o tom nas escolas; com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a progressão continuada e tantas outras inovações pedagógicas (ou antipedagógicas) os valores e as relações escolares se transformaram.
Hoje em dia é muito comum nas escolas (tanto públicas, quanto privadas) os pais ou responsáveis dos alunos questionarem os professores a respeito das notas insuficientes antes mesmo de conversarem com os próprios alunos e buscarem saber se estes estão cumprindo com suas responsabilidades, tais como estudar diariamente, fazer as tarefas em sala de aula e em casa, se estão respeitando a autoridade do professor e cumprindo com as regras básicas de normas e convivência da escola.
É nesse cenário, desestimulador, onde a escola (especialmente a pública) atualmente tem várias funções – local de alimentação, de vacinação de pessoas e animais, de votação, de lazer, entre outras funções de caráter social e, em último lugar, onde se adquire conhecimento, que os professores passam a maior parte de suas vidas.
Com essa total inversão de valores, afinal a primeira função da escola deveria ser ensinar/transmitir conhecimento, a indisciplina e a falta de limites dos alunos imperam, havendo destaque para aqueles que acabam tendo uma postura comportamental inadequada que chega até mesmo ser desafiadora para os professores; alunos que – a primeira vista – passam aos profissionais da educação que não terão futuro algum, fazendo com que seus professores usem frases como “não tem futuro”, “será um futuro marginal” e “este nunca será alguém na vida” para se referir a eles.
Mas, a história de Albert Einstein mostra-nos que este cenário pode mudar; provavelmente, em sua vida alguém teve um discurso sobre ele diferente daquela professora; ao invés de amaldiçoa-lo, acabou por abençoá-lo instruindo-o mesmo que ele, aparentemente, não desse ouvido.
Como o exemplo do jovem Einstein, em nossas escolas temos vários jovens rebeldes que, com uma boa instrução e maturidade, aproveitam uma segunda chance e dão outro rumo em suas vidas. Assim, cabe aos professores repreendê-los, com amor, como um pai ama seu filho, e não desistir nunca de passar o conhecimento e a sabedoria, afinal àquele que adquire conhecimento terá muito mais que ouro e prata; que bens materiais, mas caminhará em uma vereda bem contrária ao caminho tortuoso de indisciplina e rebeldia, e um dos responsáveis por conduzir esses jovens para este caminho de sucesso são os professores.
Há de se lembrar que o formato da maioria das escolas brasileiras não é atraente para os nossos jovens; em uma geração que a informação chega de forma rápida e superficial utilizando-se dos meios tecnológicos de informação, como os aplicativos baixados pela internet, o giz, a lousa e a exposição dos professores (que são do século passado) não são nem um pouco atrativos e acabam sendo desestimulantes – e tudo isso aliado à vontade contrária dos alunos que estão, muitas vezes, contrariados na escola. Mas, o professor deve ir além e projetar seu trabalho no futuro de seus alunos, tendo a fé de que não é em vão o trabalho que ele realiza em sala de aula. Ele ao menos estará plantando em seus alunos uma semente que, bem cuidada, dará bons frutos, afinal a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem.
Como Albert Einstein, que de aluno problema se tornou o maior físico teórico do mundo com a sua teoria da relatividade, nas escolas brasileiras temos muitas histórias como a da Ana que de aluna repetente caminha hoje para uma carreira de sucesso na magistratura, ou a do Roberto que de aluno indisciplinado e vândalo tornou-se advogado e aspira ser delegado, além do Neto que de aluno problema e hiperativo, reprovando de ano e com histórico de discussão com professores, alcançou seu sonho de ser policial militar.
O que estes três ex-alunos tem em comum além de terem sidos alunos problemáticos e hoje estarem alcançando o sucesso profissional? Todos tiveram professores que não desistiram deles, plantaram sementes boas e cada um soube usar a segunda chance que tiveram em suas vidas, arrependendo-se dos seus comportamentos do passado e passaram a serem pessoas melhores e de sucesso naquilo que se propuseram fazer.
Portanto, abrir mão de um aluno é matar sua semente antes mesmo que ela seja plantada, ficando com o peso da dúvida se o professor acabou com a possibilidade de novos Alberts, Anas, Robertos e Netos nascerem.


