Existem mais de 1.400 insetos comestíveis e, comparando 100g de grilos com 100g de bife, os grilos têm metade das calorias e o dobro das proteínas.
Ano 1 – Revista nº 3 – Fevereiro de 2010
Você pode achar estranho, mas a questão é apenas de cultura alimentar. Já pensou que você costuma comer “hambúrguer” que é feito de carne bovina, moída e prensada? Qual a diferença? Nenhuma se considerar, por exemplo, que na Índia não se come carne vermelha. Os seguidores do hinduísmo, a religião da Índia, não comem carne bovina. Percebe? Tudo depende de que lado você está.
Pode parecer loucura, mas na Bíblia aparece uma referência direta sobre quais insetos podem ser comidos. Está em Levítico (o Livro das Leis do Antigo Testamento, ou um dos cinco livros conhecidos como Tora), uma lei específica que indica quais insetos podem ser comidos.
Eu sei que a gente já viu chineses comendo insetos e que todo mundo ouviu falar disso, mas sempre me pareceu que era uma espécie de excentricidade dos orientais, impulsionada pelos anos de fome em um país gigantesco como a China.
No entanto, pesquisas indicam que os insetos oferecem ao nosso corpo a energia necessária para as mais diversas tarefas. O ser humano precisa de cerca de 2.000 calorias/dia para viver. O tipo de gordura presente nos insetos também fazem bem à saúde. Afinal, quantos insetos alguém precisaria ingerir para conseguir a quantidade de proteínas necessárias para ficar bem nutrido? Isso varia de acordo com a espécie. Seria preciso consumir, por exemplo, 47 gafanhotos para ficar bem nutrido.
Segundo o Livro Sagrado, não era permitido comer nada que fosse inseto e voasse, mas grilos e gafanhotos eram bem-vindos. Inclusive tem uma passagem em que João Batista sobrevive um período comendo somente gafanhotos e mel… inacreditável.
Avançando na minha pesquisa, descobri que insetos são uma grande fonte de proteínas concentradas, praticamente um composto multivitamínico, e são conhecidos no mercado de comedores de insetos (acredite, existe um mercado internacional disso) como “microlivestock”, algo em torno de “micro depósitos de vida”, num trocadilho com a palavra “livestock”, que é usada para os animais criados em fazendas. Insetos também são conhecidos como “o verde alternativo”, para aqueles super-vegetarianos ortodoxos que não podem comer carne de jeito nenhum e precisam de proteínas, comer insetos pode ser considerado um comportamento altamente eco responsável.
Mais impressionante ainda é que se você acredita que comer insetos é estranho, considerando a população mundial e de acordo com a National Geographic, você faz parte de uma minoria cultural. Insetos são considerados por muitos entomofagistas (especialistas em insetos comestíveis) como a comida do futuro. Existem mais de 1.400 espécies comestíveis e, comparando 100g de grilos com 100g de bife, os grilos têm metade das calorias e o dobro das proteínas.
Na Internet você pode encontrar cardápios completos de insetos, basta digitar “eat bugs”, “edible bugs” ou “Fluker’s Farm”, sites especializados que entregam no mundo todo formigas com queijo Cheddar, grilos e gafanhotos cobertos com chocolate, aranhas levemente fritas com páprica, vermes na manteiga. Fala sério, não te pareceu delicioso?!?!?!?!?! (eca!)
O site especializado do departamento norte-americano de administração de alimentos calcula que comemos insetos cotidianamente sem saber. Numa pizza tradicional, considerando os alimentos que são utilizados, para cada 100 gramas estima-se que existam 30 ovos de insetos não eliminados na lavagem e cocção. Existem 20 larvas não detectadas em cada 100 gramas de cogumelos e para cada 10 gramas de orégano podem existir até 1.250 fragmentos de insetos triturados. Que tal? Gostou? Tente esquecer isso quando estiver saboreando aquela deliciosa pizza!
Comer insetos parece mais uma excentricidade do que uma alternativa alimentar, mas não podemos deixar de lembrar que grande parte da população mundial fazia isso há 4.000 anos… e continua fazendo ainda hoje. Excentricidade ou não, há quem diga que pode ser uma alternativa alimentar para a população que começa a viver uma crise de alimentos.




