Ela é grande, bonita, tem localização privilegiada, mas durante mais de 30 anos foi apenas uma lembrança histórica e… nada mais. Conheça a Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis.
Revista 10 – Setembro/Outubro 2013
Foto: Augusto TRM – Guto
O monumento mais retratado como símbolo, não só de Florianópolis, mas de todo o Estado de Santa Catarina – a Ponte Hercílio Luz – tem uma história de marco, grandiosidade e nostalgia.
Idealizada pelo engenheiro civil e então Governador do Estado, Hercílio Luz – que morreu dois anos antes da inauguração -, a ponte começou a ser construída em novembro de 1.922, com materiais importados e engenheiros dos EUA – embora os operários fossem catarinenses – e foi inaugurada em maio de 1.926. Inicialmente seria chamada de “Ponte da Independência”, mas devido à morte de seu idealizador, o nome foi alterado em homenagem a ele.
Na época, a ponte foi um marco histórico por ser considerada uma das maiores pontes pênsis do mundo, uma obra clássica de engenharia em Art Dèco e a única conexão entre o continente e a ilha. Até então, a travessia era feita somente de barco ou balsas, com serviço monopolizado e estrutura ruim.
O motivo da construção não era apenas dar um fim ao sofrimento dos habitantes da ilha, mas acabar com a desculpa da distância para torná-la a capital do Estado. E, apesar do financiamento da obra ter sofrido diversas complicações, custar o dobro do orçamento anual do Estado e o empréstimo levar 50 anos para ser pago, a obra foi finalizada.
Com seu tamanho, forma e localização ela tem uma beleza inegável – mais chamativa durante a noite, quando está iluminada – tanto que virou o principal cartão postal, retratada por diversos artistas, com direito a exposição até internacional. Para o sul brasileiro, a ponte representou o equivalente ao orgulho da Torre Eiffel para os parisienses.
Porém, tanto desenvolvimento urbano e glamour custaram, e ainda custam, muito mais que seus idealizadores e a população pudessem imaginar. Além do orçamento grandioso para a construção, em 1.982 a ponte teve que ser interditada por questões de segurança. Foram identificados problemas na estrutura e desgastes causados pelo mar e pelo vento.
Em 1.988 foi reaberta somente para bicicletas, motos e pedestres, mas em julho de 1.991 foi novamente interditada completamente. Se os custos para a construção eram exorbitantes, para uma reforma ainda mais complexa foi, durante mais de 30 anos, quase impraticável.
Contudo, a Ponte Hercílio Luz já tinha conquistado o coração dos catarinenses e a paixão por ela é tanta que nem todos os percalços foram capazes de fazer a população desistir. Ao completar 71 anos, em 1.997, a ponte foi tombada como patrimônio histórico e artístico municipal (Decreto nº 637/92), hoje também estadual (Decreto nº 1.830) e federal (Portaria nº 78, Decreto-Lei nº 25, de novembro de 1.987). E em 2.005, o Governador Luiz Henrique da Silveira tomou coragem e iniciou a obra de reforma que tem sido continuada pelo governo seguinte. A previsão é que em 2.014 a reforma seja finalizada e ponte reaberta, dessa vez para ficar.
Características que tornam essa construção especial:
– Estrutura metálica pênsil, com suspensão de correntes de barra de olhal, de aço. A única em que partes das barras compõem a corda superior da treliça de rigidez;
– É a ponte pênsil com barras de olhal mais longa do mundo;
– Quatro correntes de barras de olhal tratadas termicamente formam o cabo principal, que sustenta o vão central;
– Piso original de madeira, substituído em 1.969 por asfalto. Uma inovação em construção para sua época;
– Torres com bases articuladas e blocos de ancoragem de concreto, em formato de “U”. A única ponte do mundo com esse sistema atualmente;
Os melhores lugares para tirar foto:
– Praça Hercílio Luz – Forte Santana
– Trapiche da Scuna Sul
– Parque Náutico Walter Lange (clubes de remo)
– Av. Beira-Mar Continental
Informações técnicas:
Extensão total: 819,471 metros;
Viaduto insular: 259 metros;
Viaduto continental: 221 metros;
Vão central: 339,471 metros;
Torres: 75 metros cada uma, a partir do nível do mar;
Altura do vão central: 43 metros, a partir do nível do mar;
Construtores: U.S.A. Consulting Engineers e Robinson & Steinman;
Engenheiros: David Barnard Steinman, Holton D. Robinson
Sobrepõe: Oceano Atlântico
Material: Aço sustentado por barras de olhal
Coordenadas: 27° 35′ 38″ S 48° 33′ 58″ O