Você quer ter razão ou ser feliz?

Viver é, para sempre, resolver conflitos e se equilibrar entre pessoas. Como conseguir melhorar as relações para viver feliz?

Revista 12 – Agosto / Setembro 2014

Destaque Grande_01Chega um dia que todo mundo pensa em ter liberdade: Quero morar sozinho!

Ah, uma hora enche o saco tropeçar no sapato de alguém, dar satisfação, ter que arrumar o quarto e dividir as coisas com outras pessoas. São sempre os mesmos problemas e, muitas vezes, brigas familiares. E a luz no fim do túnel é sair de casa.

O que ninguém diz pra gente nessa hora é que “fugir” não resolve nossos problemas. Eles continuam lá, esperando uma nova oportunidade para borbulhar e, muitas vezes, mais forte que antes. Sair do ambiente da família, principalmente quando não se dá bem com alguém, não significa deixar de ter família.

Na verdade viver é, para sempre, resolver conflitos e se equilibrar entre pessoas. Porque você sai da casa dos pais, mas vai dividir apartamento com um amigo. Ou, seja lá como for, vai ter vizinho! Se não tiver amigo, vizinho ou namorada (o), vai ter um emprego e colegas de trabalho. O que significa que, a menos que você tenha um instinto selvagem e vá morar no meio da floresta, onde quer que você vá, terão pessoas e… conflitos.

Estar em uma sociedade ou fazer parte de qualquer grupo que seja, ainda que pareça ter sua individualidade, é ter que se adaptar a regras, fazer concessões, lidar com problemas. Pessoas são sempre pessoas, não importa o parentesco ou a localização.

Como diria uma música bem popular “mentir para si mesmo, é sempre a pior mentira”. Seja qual for a justificativa que você arrumar, no fundo, a grande motivação de sair de casa (quando não é para casar, e no momento certo), sempre está ligada a conflito, frustração ou mágoa relacionada à família.

Ninguém, que não estivesse nessa situação, escolheria pagar mais contas, ter mais responsabilidades, cuidar da sua própria roupa e arrumar serviço para a cabeça. Então não se engane com o “estou saindo de boa”.

E você deve estar se perguntando: “Então, gênio, o que eu faço?”. Mude! Não de casa, mas de postura. Já ouviu aquele ditado “quando um não quer, dois não brigam”? Pois é piegas, mas é verdade. Um conflito só existe quando duas partes estão dispostas a manter a briga. Quando um cede, a paz reina.

Isso não significa que você vai se anular, suportar tudo calado, etc. Não sente no banquinho da vítima. Mudar de postura significa olhar além do conflito e ter saídas criativas para o problema. Por exemplo, você não aguenta mais sua irmã pegando suas roupas (porque ela tem um monte, mas acha as suas mais legais). Então, dê suas roupas para ela e pegue emprestado. Como agora é dela, não terá mais graça e você poderá usar livremente.

Parece engraçado, né? Só que a maioria dos conflitos e das insatisfações começou com coisas pequenas, simples e bobas. E a gente fica querendo fazer justiça a nós mesmos o tempo todo. Aí a bola de neve vai crescendo, um faz desaforo para o outro, todo mundo acha que está com a razão, até tudo se tornar uma situação insustentável.

E nos casos em que o pai bebe, a mãe grita ou os problemas parecem mais sérios e sem fim? O caso é o mesmo. Veja, ninguém disse que é fácil, apenas que é possível. Todo problema tem uma raiz e é nela que se deve agir. Quando eu decido mudar, o mundo muda. Mesmo as pessoas mais impossíveis são impulsionadas pela “ação e/ou reação” do outro.

Lembre-se que se mudar apenas de casa, seu orgulho, inflado e inflamado, vai contigo. Ou seja, você repetirá os mesmos erros com outras pessoas. E continuará vivendo conflitos que parecem novos, mas na verdade são os mesmos, porque você não mudou.

Agora eu pergunto: “Você quer ter razão ou ser feliz?”. Ter razão pode te levar a lugar nenhum. Você alimenta uma briga monstro até provar que tinha razão e? Fica todo mundo magoado, no fim, todo mundo sai perdendo.

Se escolher ser feliz, pode ser que algumas vezes você, apesar de ter razão, irá abrir mão dela, mas todo mundo sairá bem. E aí, qual é a de hoje: Razão ou Felicidade?

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